Aécio defende que Temer assuma com medidas de impacto na área econômica

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O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), defendeu junto ao vice-presidente Michel Temer que assuma o governo com uma equipe econômica forte e com medidas de impacto na área para não passar a sensação de “interinidade”. Para o tucano, a confirmação do impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado dependerá disto. A conversa ocorreu na noite de segunda-feira, em jantar entre Temer, Aécio e o economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central.
Para o tucano, a própria decisão do Senado será balizada, em grande parte, pela aceitação dos primeiros dias do governo Temer:
– Michel pode até ter 180 dias de interinidade, mas o governo dele não pode passar a ideia de ser interino. Tem que iniciar já com uma agenda e uma equipe qualificada para governar de fato o Brasil. A confirmação do Senado vai depender disto também. Se passar dubiedade e insegurança, será um problema – defendeu Aécio.
Tanto Armínio quanto Aécio alertaram Temer de que é preciso agir com rapidez na formação da equipe econômica para aproveitar a expectativa que hoje existe sobre a mudança de governo.
– Não sabemos se a expectativa sobre o governo Temer é boa ou não, mas de qualquer forma é uma mudança e é preciso ser rápido para aproveitar este momento. Ontem, eu disse ao Temer que a primeira impressão é a única que fica – disse Aécio.
Para Aécio, é preciso ter pressa. O senador defendeu que Temer apresente ao Congresso, além de sua equipe econômica, uma “agenda” com cerca de cinco propostas-chave no mesmo dia em que o Senado decidir pelo afastamento de Dilma:
– Ele tem que definir a partir de ontem. Não dá para esperar o dia da saída da Dilma para resolver isto. Tem que estar com tudo pronto. Não dá para ir com a sensação de interinidade. O núcleo duro do governo tem que estar pronto. Tudo é sinalização, a expectativa que se vai gerar. Se acontecer algo no caminho, não pode ser só a figura do Michel Temer, tem que ter um governo com uma proposta – disse Aécio, sobre a eventualidade de o Senado decidir pela permanência de Dilma ao final do processo.
A Temer, Armínio se dispôs a entregar um levantamento atualizado “minucioso” sobre micro e macro economia no Brasil que o grupo produziu para a campanha de Aécio Neves em 2014. O economista também se colocou à disposição para ajudar no processo, mas sua participação deve se restringir a isto. Ao PSDB, não interessa ter aquele que seria “a cara” da economia em um eventual governo tucano como ministro de Temer, cujo êxito ainda é visto com dúvidas.
Na conversa, Armínio afirmou que a situação da economia é muito mais grave do que se vê na superfície, mas pontuou que, se a Câmara tivesse reprovado o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, as coisas estariam ainda piores.
– Seria muito pior hoje se a votação de domingo tivesse sido diferente – afirmou Armínio.
Diante da resistência de Armínio em aceitar a função, os três especularam sobre alguns nomes para a Fazenda. Armínio sugeriu que Temer ficasse de olho na “nova geração” de economistas, com cerca de 50 anos, e que escolhesse logo o nome que comandará a área.
– Na equipe econômica, são umas 50 pessoas, e só se monta sabendo quem vai comandar – disse.
Aécio calcula que será possível ter uma decisão no Senado sobre o afastamento de Dilma até o dia 11 de março. Por isto, destaca, Temer tem dez dias para estar com o governo pronto. Segundo o senador, Temer se mostrou cauteloso. O vice e o economista trocaram telefones pessoais e agora poderão manter contato direto.
O Globo



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