BRASÍLIA: Após 8 meses de reviravoltas, conselho aprova cassação de Eduardo Cunha

Tia Eron vota a favor do relatório; considerado aliado, Wladimir Costa vota contra deputado afastado

CONSELHO-ETICA Jorge William / Agência O Globo
No processo mais longo de sua história, oito meses após a apresentação da denúncia, o Conselho de Ética da Câmara aprovou ontem terça-feira (14) por margem apertada parecer favorável à cassação do mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), já afastado de suas funções desde o dia 5 de maio.
Por 11 votos a 9 e após muito bate-boca, o colegiado corroborou o relatório do deputado Marcos Rogério (DEM-RO), para quem não faltam provas de que Cunha quebrou o decoro parlamentar ao omitir a existência de contas no exterior que, segundo a Procuradoria-Geral da República, foram abastecidas em parte com dinheiro do petrolão. “Estamos diante do maior escândalo que esse colegiado já julgou”, disse Marcos Rogério.
Cunha só perderá o mandato, porém, caso o plenário da Câmara confirme o parecer do Conselho com o voto de pelo menos 257 dos seus 512 colegas. A votação é aberta, e deputados afirmam que não deve ocorrer em menos de três semanas, devido aos prazos de publicação do resultado e de recurso à Comissão de Constituição e Justiça.
O voto decisivo foi dado pela deputada Tia Eron (PRB-BA), que sofreu intensa pressão nos últimos dias, faltou à sessão de votação na semana passada e era considerada pelos aliados de Cunha como apoio certo para salvar o mandato do peemedebista.
Em uma fala inflamada nesta terça, ela atacou colegas que criticaram seu sumiço e seu silêncio, afirmando não ter sido “abduzida” e que estava se resguardando. E disse que estava ali para resolver “o problema que os homens não conseguiram resolver”. “Não mandam nessa nêga aqui!”. As indicações da deputada de que poderia votar contra Cunha levaram o Conselho a desistir de adiar a votação mais uma vez. Em seu voto, ela disse que não poderia absolver Cunha.
Wladimir Costa (SD-PA), um dos mais ardorosos defensores de Cunha, mudou o voto e apoiou a cassação após a decisão de Tia Eron.

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