Considerado ‘incógnita’, voto de Rosa Weber pode ser o decisivo no julgamento sobre prisão de Lula, avaliam analistas

Ministra votou contra prisão após segunda instância, mas tem decidido individualmente pela execução da pena, seguindo a posição da maioria dos ministros em 2016.

Observadores do Supremo Tribunal Federal (STF) consideram que o voto decisivo para livrar ou não da prisão o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no julgamento desta quarta-feira (4), virá da ministra Rosa Weber, conhecida na Corte pela discrição nas manifestações públicas e rigor nas decisões judiciais.

Condenado por corrupção e lavagem no caso do triplex no Guarujáem primeira e segunda instâncias, Lula ainda permanece solto por força de um salvo-conduto concedido pelo STF no último dia 22 de março, quando os ministros começaram a analisar um habeas corpus preventivo contra sua prisão.

Como o julgamento foi interrompido antes da análise do pedido principal – de evitar a prisão antes do trânsito em julgado do processo, isto é, a decisão definitiva sobre a condenação no Judiciário –, a maioria dos ministros proibiu prisão de Lula até o término do julgamento.

A questão envolvendo Lula – possibilidade de execução da pena após confirmação da condenação em segunda instância – divide os ministros.

Em 2016, seis magistrados votaram para permitir a chamada “execução provisória” da pena, enquanto outros cinco votaram contra, para autorizar prisão só após condenação em terceira ou quarta instância.

Na época, votaram pela prisão após condenação em segunda instância os ministros Teori Zavascki (morto em 2017 e sucedido por Alexandre de Moraes, que tem a mesma posição), Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux, Gilmar Mendes e Cármen Lúcia.

Contra a execução da pena em segunda instância votaram Rosa Weber, Dias Toffoli, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello.

Todos vêm mantendo essa posição em outros julgamentos de pedidos de liberdade, exceto Gilmar Mendes, o que, numa nova análise em plenário, viraria o placar e tornaria a maioria contra a prisão após segunda instância.

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