CRISE ECONÔMICA: Crise foi agravada por investimentos em Copa do Mundo e Olimpíadas, diz empresário

Antônio Gentil crê que realização de grandes eventos esportivos no Brasil poderiam ter sido reconsiderados para três ou quatro décadas adiante

antoniogentil
Antônio Gentil é empresário há 50 anos no Rio Grande do Norte
São muitas as pessoas que consideram assustadora a situação econômica vivida pelo Brasil. Afinal, a inflação sobe a cada dia e produtos comuns que eram comprados por preços atrativos, como o feijão e o leite, atualmente custam valores absurdos e que pesam no bolso do consumidor mais humilde. Mas quais fatores podem ter levado à crise financeira brasileira alcançar níveis tão elevados?
Para o empresário Antônio Gentil, dono da Gentil Negócios, empresa que representa diversas marcas no RN como O Boticário e Quem Disse Berenice, os gastos realizados em grandes eventos esportivos mundiais contribuíram bastante para o cenário econômico atual. Segundo ele, a realização de eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas poderiam ter sido repensadas para três ou quatro décadas adiante, quando o país estivesse, de fato, em condições de promover eventos deste porte.
“Nos dois últimos governos, muitos investimentos que não eram prioritários como a Copa do Mundo e as Olimpíadas foram feitos e acabaram dificultando a nossa situação. Todo mundo sabe que só pode fazer festa quem tem dinheiro. Essas obras desnecessárias que foram feitas, nós poderíamos fazer daqui a 30, 40 anos, com o país organizado politicamente, sem ideologia, mas com muita praticidade”, argumentou ao portal Agora RN.
Apesar de tudo, Gentil, que há 50 anos vive no ramo da atividade comercial, vê com otimismo o novo cenário pelo qual passa o país com o governo interino de Michel Temer (PMDB), e acredita que apesar dos pesares o Brasil conseguirá sim sair da situação difícil que foi deixada – na sua avaliação – pelas administrações anteriores chefiadas pela presidenta afastada Dilma Rousseff (PT).
“Sou otimista com a nossa economia. Temos Estados riquíssimos e é só uma questão de tempo para ela ser reajustada. Tenho essa convicção porque o brasileiro sempre consegue o que deseja. As potencialidades do país são grandes e nós estamos vivendo um momento de transição. Não tenha dúvidas que, uma vez resolvida a questão política, o país vai voltar aos trilhos. Acredito muito na frase que diz: o político faz o econômico, mas o econômico não faz o político. O que quero dizer com isso é que quando há harmonia entre os poderes, a tendência é a livre iniciativa de acreditar no melhor”, completou.
Questionado sobre o cenário local, o empresário finalizou dizendo que os potiguares precisam valorizar mais o parlamento e sobretudo cobrar uma modificação na legislação trabalhista, que para ele está ultrapassada e acaba dificultando a tomada de medidas mais favoráveis.
“Não podemos criar essa ideia de que o RN é hostil ao capital. Temos que valorizar cada vez mais os parlamentos municipal e estadual, através das câmaras de vereadores, assembleia legislativa, câmara e senado federal. É necessário modificar a lei. Criticamos muito os que ocupam cargos majoritários, mas esquecemos que eles têm de cumprir a legislação trabalhista do país, que diga-se de passagem está velha. De modo geral, acho que temos que ter objetivos maiores”, concluiu.
Na noite desta segunda-feira (25), o empresário foi homenageado pela Associação do Comercial do Rio Grande do Norte (ACRN), que deu o nome dele à galeria de seus ex-presidentes.
FONTE: Portal RN

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