ECONOMIA DO RN É SUSTENTADA PELO FUNCIONALISMO

A economia do Rio Grande do Norte depende dos recursos públicos para não entrar em colapso. Fragilizada, mesmo com um potencial de fontes de recursos naturais a ser explorado, o lento desenvolvimento do estado potiguar só é possível graças aos dispêndios da União, Estado e Municípios. A participação da Administração Pública através dos serviços de Saúde, Educação e Previdência Social nas atividades econômicas locais correspondeu, segundo os últimos dados tabulados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2011, a 28,3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Somente o setor de prestação de serviços supera o do funcionalismo público em injeção de recursos, contribuindo com 72,6% do PIB potiguar. No Estado que, de acordo com o relatório do IBGE, queima gás natural diariamente por não dispor de infraestrutura de escoamento para o excedente que não é usado pelas indústrias ou pela própria Petrobras, além de inutilizar energia eólica pela ausência de linhas de transmissão, a produção de gás natural e eletricidade amargaram 1% na contribuição para a formação do mesmo PIB.

Para o chefe do IBGE no Rio Grande do Norte, Aldemir Freire, a economia estatal precisa se diversificar. “Há um aspecto de dependência muito forte dos recursos públicos. Há, porém, uma regularidade no dispêndio desse dinheiro, o que impede de um colapso econômico ocorrer”, analisou. Aldemir Freire ressaltou que o Setor Público é importante para o desenvolvimento da economia de qualquer nação, incluindo as mais abastadas, como os Estados Unidos. Mas, no caso do Rio Grande do Norte, o setor “é o grande motor da economia potiguar”, muito em decorrência da ausência de diversificação da atividade econômica, concentrando os maiores volumes de recursos em apenas duas áreas.

A comprovação da dependência ocorreu ao longo de 2013, quando dezenas de fornecedores de produtos, mão de obra e equipamentos ao Governo do Estado reclamaram o pagamento de mais de R$ 100 milhões em atraso. Algumas empresas, principalmente as menores, fecharam as portas no período. Os dependentes, porém, estão em todos os segmentos. “Alguns setores privados da Saúde, inclusive, dependem de transferências de recursos públicos, assim como os veículos de comunicação. O atraso nos repasses do recurso públicos acarreta um impacto na economia local”, apontou o chefe do IBGE/RN. Em agosto do ano passado, conforme dados disponíveis no Portal da Transparência do Estado e Prefeitura de Natal, mais de R$ 100 milhões foram consumidos com o pagamento de fornecedores.

“Muitas empresas dependem e sempre tiveram grande percentual da venda focada nos Governos Federal, Estadual e Municipal”, assegurou o superintendente da Associação Comercial do Rio Grande do Norte, Adelmo Freire. A Associação não dispõe de dados relacionados ao montante movimentado anualmente pelos comerciários que assinam contratos com Prefeituras e Governo do Estado, mas ressalta que os negócios firmados com tais entes públicos ainda são responsáveis pela manutenção da maioria das empresas ativas.

Quando se expande a observação para obras públicas de grande monta envolvida, os números superam R$ 1,6 bilhão em contratos de construção de estradas, viadutos, trincheiras, adaptação de vias e saneamento básico. As grandes empreiteiras que vencem as licitações necessitam contratar empresas menores e, este mecanismo, acaba retroalimentando o mercado de trabalho e, consequentemente, impulsionando a economia. Os recursos governamentais acabam sendo o oxigênio que mantém viva a atividade comercial em segmentos diversos Brasil afora.

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A publicização dos atos do Governo do Estado e Prefeituras oxigena também o setor da Comunicação. Dados do Sindicato das Agências de Propaganda (Sinapro/RN) confirmam que as verbas para Publicidade e Propaganda das ações e campanhas educativas do Executivo Estadual, garantidas por Lei e correspondentes a menos de 0,19% do Orçamento Geral do Estado do Rio Grande do Norte para 2014, correspondem a mais de 50% do volume de receitas das agências de propaganda, emissoras de televisão, estações de rádio, jornais impressos e blogs potiguares.

Em tempos de recursos escassos, porém, tal oxigenação sofre baixa e, muitas empresas, principalmente aquelas com menor capital de giro, sucumbem. É justamente este o lado negativo das negociações com Estado e Prefeituras, cujos orçamentos ficam amarrados, na maioria dos casos, aos repasses da União. “Nós temos tentado diminuir essa dependência e distribuir os negócios para outros setores da economia”, analisou Freire. A dificuldade, porém, é encontrar um mercado que consuma tanto quanto o Governamental em suas três esferas.

Fonte: Novo Jornal

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