Falta de infraestrutura no “Aeroporto de Natal” impede chegada de medicamentos no RN

Terminal de Cargas não está de acordo com exigências

O Terminal de Cargas do Aeroporto Aluizio Alves, em São Gonçalo do Amarante, não possui um local adequado para armazenar determinados medicamentos que chegam ao Rio Grande do Norte via transporte aéreo, conforme exigências estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo denúncia reportada a O JORNAL DE HOJE, essa falta de infraestrutura aeroportuária teria levado a Anvisa a interditar recentemente parte do Terminal de Cargas, impossibilitando que as companhias aéreas façam o transporte de medicamentos encomendados por hospitais e clínicas médicas do Estado.
Dois dos medicamentos que não estão mais chegando ao RN pelo Aeroporto Aluizio Alves são fontes radiativas utilizadas para exames de pacientes que tratam de câncer, como o exame de Cintilografia e o exame PET-CT, que determinam o desenvolvimento do tumor e a extensão da doença no paciente.
O médico Marcos Passos, proprietário do Instituto de Radiologia de Natal, conta que o Instituto, a Liga Norte-Riograndense Contra o Câncer (LIGA) e a Clínica Nuclear, que fazem uso dessas fontes de radiação, estão pagando um preço bem mais caro para evitar que seus pacientes fiquem sem realizar os exames.
“Se dependêssemos apenas do transporte aéreo para adquirir esses medicamentos, os tratamentos dos pacientes de câncer no Estado estariam comprometidos. Para evitar que isso aconteça, estamos utilizando o transporte terrestre”, contou o médico à reportagem do JH, por telefone.
Segundo relatou Marcos Passos, a saída encontrada para não depender do aeroporto é solicitar a compra das fontes radiativas com destino ao Aeroporto de Recife e fazer o trânsito até Natal por meio de veículos oficiais do terminal de Recife. “Isso representa para nós um aumento de aproximadamente 30% do custo na compra e transporte dos medicamentos”, relatou.
O médico explicou que as fontes radiativas têm um tempo de vida muito curto, o que impede que os hospitais e clínicas médicas tenham estoque. Normalmente os medicamentos são encomendados um dia antes dos exames de Cintilografia e PET-CT serem realizados no paciente e despachados horas antes desses exames agendados.
Essas fontes utilizadas pelo Instituto de Radiologia, LIGA e Clínica Nuclear são encomendadas em Brasília, São Paulo e Bahia. “As fontes vão perdendo sua radiação a cada duas horas. Quando encomendamos em um dia, as empresas produzem de madrugada e encaminham nas primeiras horas da manhã pelas companhias aéreas, conforme necessidade e exigência do exame”, comentou Passos.
“Sem a rapidez do transporte aéreo, temos que encomendar as fontes com cargas maiores de radiação por causa das perdas que elas terão no tempo em que serão transportadas pelas viaturas”, explicou.
Marcos disse que foi informado sobre o problema do Aeroporto de São Gonçalo com a Anvisa há três semanas, quando encomendara o transporte à uma companhia aérea específica. “Eles me disseram que a própria Anvisa proibiu a companhia de receber a carga com destino ao Aeroporto de São Gonçalo. Não nos informaram nada mais. Procuramos a Anvisa e a Agência relatou o problema com o Terminal de Cargas”, contou.
As fontes radiativas em questão não precisam de espaço de armazenamento em terminais de carga, uma vez que o uso no paciente deve ser imediato. Entretanto, para receber qualquer tipo de medicamento como essas fontes, considerados de “risco” pela exposição, os aeroportos precisam possuir um espaço adequado de condicionamento.
“Quando nós procuramos a Anvisa, eles nos informaram que o problema no Aeroporto de São Gonçalo também está prejudicando outros segmentos. Em uma fiscalização realizada, eles encontraram cargas alimentícias armazenadas a -10ºC, quando deveriam estar armazenadas a -18ºC”, destacou Marcos Passos.
A reportagem do JORNAL DE HOJE contatou a Inframérica, consórcio que administra o Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, mas até o fechamento desta edição não houve uma resposta oficial sobre a denúncia. A equipe do jornal também se deslocou até o Terminal de Cargas, mas o superintendente do Aeroporto, Ibernon Gomes, não deu informações sobre o caso.


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