Funcionários de prédio brincam com premonição sobre queda de avião

Movimento foi atípico nesta quarta-feira (26) na região da Avenida Paulista. Dono de restaurante disse que teve prejuízo com as vendas da manhã.
Prédio na Avenida Paulista recebe pintura de avião
Passado o susto da possibilidade da queda de uma aeronave em plena Avenida Paulista, os funcionários que trabalham no edifício comercial Barão de Serro Azul encararam com alívio e até brincadeiras na manhã desta quarta-feira (26) a premonição do vidente Jucelino Nóbrega da Luz.
Ele registrou em um cartório no Centro da capital paulista uma premonição que dizia que uma aeronave partiria do Aeroporto de Congonhas com destino a Brasília, às 8h30 desta quarta, e se chocaria contra um edifício, perto do cruzamento da avenida com a Alameda Campinas, após mudar a rota devido a uma pane.
A premonição levou o síndico do prédio, Severino Alves de Lima, de 67 anos, a distribuir na semana passada um comunicado para informar funcionários e locatários das salas comerciais do prédio, onde funcionam escritórios e consultórios. No aviso, ele deixava aos cuidado de cada um a responsabilidade de liberar ou não os funcionários nesta quarta.
Funcionários das salas comerciais dos andares mais altos do edifício jogavam aviões de papel pelas janelas enquanto davam risadas da movimentação de jornalistas. Por volta das 9h20, o barulho de uma aeronave que sobrevoo o local foi mais um motivo de gozação.
Mauro de Souza, de 55 anos, dono de um restaurante localizado no térreo do edifício, pendurou um aviãozinho de papel dentro do seu estabelecimento enquanto contabiliza seu prejuízo. “Eu nunca acreditei nisso e tinha certeza que isso ia afetar o movimento porque as pessoas têm medo”, disse. “Os clientes já falaram que não vem porque o chefe já disse que não vem e os funcionários também não virão”, afirmou. De acordo com Souza, seu faturamento no café da manhã teve redução de cerca de 30%, o que equivale a R$ 150
A falta de movimentação relatada pelo empresário também foi observada pelos funcionários que trabalham na recepção do edifício. “Hoje o prédio está como se fosse um feriado, bastante vazio. Não é de costume, o prédio é bastante movimentado. A pessoas que vieram estão fora do prédio”, diz a recepcionista Sônia Dias, de 27 anos.
Antes do horário previsto para a queda da aeronave, o movimento na região era atípico. A banca de jornal localizada quase em frente ao prédio nem chegou a abrir. Dentro do edifício, no térreo, a maioria das lojas permaneceu fechada.
Premonição

Mas o medo de que a premonição se concretizasse deixou muita gente com medo e alterou a rotina de algumas pessoas. Em outro edifício da Avenida Paulista, na esquina com a Alameda Santos, dois jovens preferiram evitar estar no local logo cedo.

Os amigos, que trabalham no 18º andar de um prédio, ficaram com medo de entrar para trabalhar. “Não foi nada normalizado, mas foi deixado aberto se a gente quisesse entrar mais tarde poderia, então a gente vai trabalhar aqui perto e voltamos após as 10h”, disse o vendedor Diego Batista da Silva, de 27 anos
A assistente administrativa Nikita de Abreu, de 28 anos, soube pela televisão da premonição. “Eu estou com medo, tenho um bebê de 6 meses para cuidar e só vou subir mais tarde”, disse a funcionária que trabalha em uma das salas do edifício Barão do Serro Azul.
O síndico Severino de Lima decidiu alertar os condôminos da previsão, mas disse que não acreditou na premonição. “Eu desde o início não acreditava nisso, tendo em vista que as autoridades já tomaram uma série de providências”, afirmou. Já Antonio Carlos da Cunha, de 66 anos, funcionário de uma imobiliária, não ficou apavorado em momento algum. “O pessoal ficou de sobreaviso, mas eu não acredito muito nisso, não tenho medo não.”
Embarque em Congonhas

O vice-presidente de Operações e Manutenção da TAM, Ruy Amparo, embarcou na manhã desta quarta no voo com destino a Brasília citado na premonição. “Tudo relativo ao voo está na minha responsabilidade. Por isso que estou indo junto. Acho que é uma demonstração de confiança”, disse ainda no Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo.

Por causa da premonição, a companhia deixou de usar, na escala de 26 de novembro, o número JJ 3720 para o voo. Na data e horário, o mesmo voo tem o número JJ 4732. “Mudamos o número para não atrair muito sensacionalismo, não criar uma marca. Você vê que a gente não está escondendo. Mas a gente mudou para não ficar atraindo muita atenção porque infelizmente, nessa hora, a gente respeita quem tem superstição”, disse Amparo.
Nóbrega da Luz explicou que essa previsão apareceu para ele durante um sonho premonitório em julho de 2005 e disse que, desde então, envia cartas à companhia sobre o fato. Ele afirmou que registrou no 8º Cartório de Títulos e Documentos de São Paulo, em 24 de outubro de 2014, um documento descrevendo o acidente.

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