Palma forrageira, uma solução viável para o homem do campo

A estiagem castiga de forma mais severa o Rio Grande do Norte há pelo menos três anos. Desde 2012, a irregularidade das chuvas produz cenários catastróficos: rebanho morto, perdas nas lavouras e falta de água para consumo humano são alguns elementos presentes na maioria dos municípios. Na Emparn, alguns pesquisadores se debruçam sobre trabalhos que, a longo prazo, podem amenizar os efeitos deste processo no semiárido potiguar.Dois estudos têm como figura principal a palma. A cactácea comestível é usada para alimentação de animais e, no Rio Grande do Norte, não é muito comum. Diferente do que acontece nos Estados vizinhos da Paraíba e Pernambuco. O coordenador de pesquisa e produção animal da Emparn, Guilherme Ferreira da Costa, está à frente de um estudo que trabalha com a plantação de palma irrigada.A ideia é plantar a espécie e utilizar água para sua reprodução. O que parece ser um consenso à primeira vista – posto que os mananciais estão em estado de colapso –, revela-se uma boa alternativa, segundo o estudioso. “Com a irrigação, conseguimos produzir a planta nas regiões do Seridó e Oeste potiguar. O que não acontecia antes da técnica”, diz.A técnica consiste em plantar de 30 a 50 mil plantas por hectare e irrigar, uma vez a cada 10 dias, a área com 10 litros de água por cada metro quadrado. “O consumo de água é muito baixo. Em outras culturas, são utilizados até 65 mil litros de água por dia”, conta Guilherme que estuda a técnica há pelo menos quatro anos. Para tocar a pesquisa, a Emparn conseguiu validar financiamento na ordem de R$ 2 milhões junto ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).Segundo o pesquisador, a palma tem valor energético comparado ao milho, mas apresenta baixo valor protéico. Por outro lado, é rico em água e pode ser usado na alimentação de gado ovino e caprino. Com a linha de financiamento aprovada no MDA, a Emparn está desenvolvendo outra pesquisa com a palma. O estudo é coordenado pelo pesquisador da área de entomologia agrícola, Marcone César Medeiros. Para evitar pragas que matam a palma, o pesquisar trabalha com a possibilidade de controle biológico do problema. “Utilizamos uma joaninha que se alimenta da praga. Estamos fazendo os primeiros testes”, conta.São duas pragas que podem dizimar a palma: cochonilha de escama e cochonilha de carmim. A segunda mais poderosa que a primeira e ainda não há registro de casos no Rio Grande do Norte. As pesquisas do estudioso utilizam técnicas sem o uso de química. O exemplo é a utilização de óleos minerais para combater pragas nas culturas de mamão, coco, manga e goiaba, por exemplo. “No caso da palma, estamos utilizando a joaninha para estimular o controle biológico”, explica.

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