Para investidores, novo presidente é a melhor forma de tirar país da crise

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A tempestade política que atinge o
Brasil neste momento é vista como um sinal de esperança para
investidores estrangeiros, que veem uma mudança de governo como a melhor
forma de tirar o país da crise. Ações locais e o real lideraram ganhos
globais depois que a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
como ministro aparentemente surtiu efeito contrário ao esperado pelo
governo, gerando especulação sobre uma maior probabilidade de
impeachment. Com o Congresso paralisado por batalhas políticas, a visão
de alguns analistas e investidores é de que é necessária uma nova
liderança para acabar com a pior recessão em um século e reverter o
déficit fiscal recorde.
— Há muitas outras coisas que precisam
acontecer, mas eu acho que os mercados se mostrariam muito positivos em
relação a essa mudança, e acho que ainda há alguma tendência de ganhos
para ativos brasileiros — disse Gregory Lesko, gestor de recursos da
Deltec Asset Management em Nova York.
Os comentários a seguir foram feitos
após o Ibovespa ter o maior avanço desde maio de 2009, na quinta-feira,
enquanto o dólar era negociado perto do patamar mais baixo em seis
meses. O custo para garantir a dívida do país contra o não pagamento no
mercado de swaps, ou CDS, teve a maior queda desde 19 de dezembro.
Amer Bisat, gestor de recursos de
mercados emergentes da BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, com
US$ 4,6 trilhões. Ele diz que a empresa “começou a se engajar” no
Brasil:
— Uma nova mudança, uma completa mudança
de paradigma, será muito positiva para uma economia que vive uma
recessão severa. A reversão dos desequilíbrios como resultado da
estabilidade política será muito positiva. E o Brasil está muito barato.
O Brasil tem uma enorme quantidade de valor — diz. — É muito difícil
para nós ter uma visão política, mas estamos esperando. Quando o cenário
político se desenrolar, queremos ver como a economia reagirá a isso.
Sean Newman, gestor de recursos em
Atlanta da Invesco Advisers, que recomenda a compra de ativos
brasileiros. Sua empresa administra US$ 776 bilhões em ativos:
— O legado (do governo atual) certamente
será um reflexo de como não administrar uma economia. Será um caso de
estudo nas faculdades de negócios nos próximos anos.
Bianca Taylor, analista e estrategista
de títulos soberanos da Loomis Sayles & Co., em Boston, que ajuda a
administrar US$ 229,1 bilhões em ativos, incluindo notas do governo
brasileiro:
— O processo de impeachment como um todo
poderá ser acelerado. Ficou claro que Dilma e ele (Lula) já não estão
pensando no país, e sim neles mesmos. E esta é uma lógica muito
perigosa. Eles não parecem estar preocupados com o cenário econômico,
mas apenas em sua sobrevivência pessoal. Esse governo não estará aí no
fim do ano. Uma mudança drástica poderia acontecer nos próximos dias.
Gregory Lesko, gestor de recursos da Deltec Asset Management em Nova York:
— Há um processo complicado de
impeachment no Brasil — diz. — Claramente a mudança está ocorrendo e
isso só pode ser considerado, pelo menos por enquanto, uma boa notícia,
porque o país vem sendo administrado de forma bastante negativa para os
investimentos.
— Os juros brasileiros são muito altos, a
inflação começou a ceder um pouco. Eu acho que se houver alguma
disciplina fiscal o dinheiro virá para o país, os juros poderiam cair e
poderíamos até mesmo ver a moeda extrapolar e tornar-se excessivamente
forte, porque não há rendimentos em nenhuma outra parte do mundo. Se as
pessoas tiverem a confiança de que as dinâmicas entre dívida e PIB se
estabilizarão, acho que poderá haver uma quantidade significativa de
dinheiro entrando no país, o que fortalecerá a moeda e reduzirá a
inflação. Trata-se de um ciclo virtuoso muito positivo. É por isso que o
mercado está tão animado com uma mudança.
O Globo

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