QUEM VAI GOVERNAR ESTE PAÍS?

Vejam algumas opiniões: 
O Partido dos Trabalhadores, presidido pelo jornalista (e ex-colega do Jornal da Tarde) Ruy Falcão, continua a perder relevância no cenário político brasileiro.
As alegações do ex-líder do partido no Senado, Delcídio Amaral sobre o comportamento e a (falta de) ética do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff –  representaram uma pá-de-cal jogada sobre as aspirações de eternização do partido no poder.
As impactantes revelações de Delcídio – cuja consequência inevitável será o acirramento das demandas sociais e políticas pelo impedimento da Presidente -, justifica uma pergunta: quem assegurará, nessa difícil etapa, a governabilidade do País?
Quando, em 1992, o presidente Fernando Collor enfrentava o processo deimpeachment que marcou a etapa final de seu mandato, o Brasil, apesar do compreensível burburinho que tomou conta do mundo político, não teve alterada a sua governabilidade.
Antecipando as dificuldades que teria pela frente, Collor teve a sabedoria de cercar-se de uma equipe de ministros e assessores capazes, todos imbuídos de espírito republicano, que tiveram papel fundamental para impedir que as tensões políticas contaminassem, até o desfecho da crise, a respeitabilidade do Estado a capacidade operacional da administração pública.
Dessa equipe, vale nomear alguns nomes mais expressivos: Marcílio Marques Moreira (Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento), Celso Lafer (Ministério das Relações Exteriores); Hélio Jaguaribe (Ciência e Tecnologia), Eliezer Batista (Assuntos Estratégicos), Célio Borja (Justiça), Adib Jatene (Saúde) e Sérgio Paulo Rouanet (Cultura). Mais envolvido com a gestão das tensões políticas, mas igualmente reputado e respeitado, esteve Jorge Bornhausen.
Entre os assessores do Planalto, pelo menos três merecem referência especial, por suas qualidades pessoais e profissionais: o assessor econômico da Presidência (Murilo Portugal, que hoje preside a Federação Brasileira de Bancos – Febraban); o assessor internacional (embaixador Gélson Fonseca); o consultor-jurídico (Gilmar Mendes, hoje ministro do STF e presidente do TSE).
Nenhum nome de comparável expressão perfila no ministério de Dilma. Na Fazenda, Nélson Barbosa (ex adjunto de Mantega, co-autor de “pedaladas” e um dos que desmontaram o tripé de equilíbrio macroeconômico) parece excessivamente flexível aos desígnios do partido e da Presidente. No Itamaraty, o embaixador Mauro Vieira faz o que pode, ajudado pelo Secretário-Geral Sérgio Danese, mas os dois vivem num cercado, sob a nefasta e preponderante influência de Marco Aurélio Garcia, o assessor que Luiz Inácio Lula da Silva colocou no Planalto para assegurar nosso relacionamento privilegiado com a Bolívia e a Venezuela.
Na Justiça, temos agora, Wellington Lima e Silva, que completa suas primeiras 24 horas sem saber para lado olhar, e mesmo sem saber se sua posse cumpriu os preceitos legais. Pouco ajudará, portanto, para apoiar a governabilidade. No resto do Ministério, temos toda uma relação de nomes anódinos para fins de governabilidade: Celso Pansera (Ciência e Tecnologia); Vítor Pinto Chaves (Assuntos Estratégicos) ou Marcelo Costa e Castro (Saúde). Miguel Rosseto, no Trabalho, não pode ajudar, dividido como está entre sua fidelidade a Lula e dissintonia com Dilma. Os ministros da Defesa (Aldo Rebelo) e da Agricultura (Kátia Abreu) têm luz própria, mas não parecem dispostos a virar salva-vidas de Titanic.
Quando transferimos o foco de nossa atenção para o Planalto, desponta o nome do Chefe da Casa Civil, o sindicalista Jaques Wagner, que parece saber fazer bem a ponte entre Lula e Dilma, o que contudo parece insuficiente para as demandas acrescidas de governança. Em patamar abaixo, menos relevantes, temos os  nomes dos ministros Edinho Silva e   o secretário de governo, Ricardo Berzoini, que em termos de capacidade de articulação não chega nem aos pés de Bornhausen.
Obviamente não se poderia esquecer o nome do ministro da Educação, Aloyzio Mercadante. Não se pode antecipar, porém, qual papel poderia exercer, numa dimensão mais ampla, para ajudar a manter um mínimo de governabilidade no País.
Um único consolo: pior do que está, dificilmente pode ficar.
Se a Presidente decidir sair, um novo quadro se abrirá ao País.
Pedro Luiz Rodrigues, jornalista, ex-diplomata. Sua opinião não compromete nenhuma instituição.

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