Tirar a carteira de habilitação está mais caro na capital potiguar

Quem quiser dirigir carros de passeio, agora tem que desembolsar mais dinheiro e ter cinco horas de aulas práticas a mais do que era estabelecido pelo órgão regulador. O crescimento de 20 horas de aulas práticas para 25 gerou um impacto significativo no investimento necessário para obter a tão sonhada carteira de motorista.
Em um determinado Centro de Formação de Condutores de Natal, até novembro deste ano o candidato a uma carteira de habilitação B (apenas para carros de passeio) chegava a pagar R$ 600 à vista ou R$ 700 caso a forma de pagamento fosse parcelada. Com a nova resolução que aumenta o número de aulas práticas, esse valor chega a R$ 800 à vista ou R$ 900 pagos em parcelas.
A enfermeira Karinelle Pereira aprova a nova medida. “Gostei porque não se aprende a dirigir com 20 aulas, se aprende na prática. Então quanto mais aulas, melhor, apesar de ter ficado mais caro”, avaliou. Ela já passou por todas as etapas para a habilitação para carros de passeio. Resta apenas o teste no Detran. Aliás, ela vai tentar ser aprovada como motorista pela segunda vez.
Com essa segunda tentativa e as quatro aulas extras que está pagando para tentar adquirir mais segurança ao volante, Karinelle calcula um investimento que gira em torno dos R$ 1.300. “Amanhã a gente vai ver se eu tô preparada ou não. Mas acho que só essas 20 aulas não prepara ninguém não, falando sério”, acrescentou.
De acordo com a diretora de ensino da Estylo Autoescola, Necy Bezerra Cunha, essa busca por aulas extras é muito comum entre os alunos. A maior parte deles têm receio de “enferrujar” os conhecimentos. “De dez, uns sete ou oito pagam aulas extras quando chega perto do teste, uns dois dias antes”, informou a diretora. Isso ocorre porque entre a finalização das aulas práticas e o dia de realização do teste no Detran há um intervalo de cerca de duas semanas.
“Acho que deveria ser até mais que 25 horas de aulas práticas, porque os alunos ainda assim sentem dificuldades”, declarou a diretora. A principal dificuldade que os futuros motoristas pedem para ser trabalhada é a baliza, especialmente porque os examinadores do Detran pedem para fazer em uma curva. “Não sei nem porque tem essa baliza já que é proibido estacionar em esquina”, observou a diretora.
Cunha acredita que nada substitui a experiência prática das ruas, mas reconhece que o futuro motorista deve estar apto a partir de uma boa base teórica e minimamente prática. “O medo, ele só vai perder com a experiência da habilitação, mas tem que ir com confiança para o que está fazendo”, comentou.
Para a diretora de ensino, que é pedagoga, ainda há um longo caminho para a melhoria do trânsito brasileiro. Na sua concepção, é necessário um trabalho integrado de autoridades gestoras de trânsito, de educação e cidadania para mudar todos os vícios que ainda estão impregnados na cultura de trânsito do brasileiro. “Tem aluno meu que chega e diz ‘professora, eu faço tudo direito, mas quando eu chego no trânsito todo mundo fazendo de um jeito e eu de outro. Pareço um ET”, destacou.
Vale ressaltar que não houve mudança na grade teórica do curso nem mesmo na quantidade de aulas noturnas. O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) estabelece o mínimo de 20% de aulas práticas noturnas. Como o número total de horas cresceu, o número de aulas noturnas cresce proporcionalmente.

Deixe uma resposta